Sobre este blog

Ser mestre é ser um semeador; não qualquer um deles, entretanto, aquele semeador que não escolhe o solo em que vai lançar sua semente e que não se queixa ou questiona se o solo é seco, árido ou fértil, porque o essencial é semear...



20 de mar de 2014

Essa postagem vai para todas as séries do EJA da  EE Casimiro de Abreu (CECA). É a linha do tempo em literatura, que situa historicamente a época em que cada estética literária existiu em Portugal e no Brasil. Todos devem ter esse material, cada série aprenderá um conteúdo conforme planejamento anual a ser explicado em classe. Essa tabela foi elaborada com base em pesquisa nos sites abaixo:

LITERATURA DE LÍNGUA PORTUGUESA - QUADRO CRONOLÓGICO. Fontes:

http://lusofonia.com.sapo.pt/literatura_portuguesa.htm (Pré-Modernismo-Pós-Modernismo português)


Cronologia e características dos movimentos literários
Estilo
Portugal
Brasil
Características
Trovadorismo
1189/1198
A Ribeirinha
Paio Soares de Taveirós
Gêneros: cantigas (poesia), novelas de cavalaria, nobiliários, hagiografias.
-
Cantigas de Amor: sofrimento, idealização, eu lírico masculino, ambiente da Corte, dama inacessível, caráter  analítico-discursivo.
Cantigas de Amigo: eu lírico feminino, confessional, ambiente popular, paixão incorrespondida, realista, narrativo-descritiva.
Cantigas de Escárnio e Maldizer: críticas indiretas ou diretas de pessoas ou fatos de uma época. Rica fonte de documentação. 
Humanismo
1418
Fernão Lopes, guarda-mor da Torre do Tombo.
Gêneros: historiografia, teatro popular, prosa doutrinária.
Gil Vicente (teatro)
-
Teatro: em poesia, versa sobre assuntos profanos ou religiosos; carpintaria teatral rudimentar; ausência de regras; sem unidade de ação, tempo e espaço. Aspectos críticos de uma sociedade em transição.
Classicismo
Quinhentismo
1527
Sá de Miranda
Introdução da medida nova.
Gêneros: poesia lírica, épica, teatro e crônicas.
Camões (poesia)
1500 (Quinhentismo)
1º Documento escrito em terras brasileiras: Carta a D. Manuel. 
Gêneros: poesia lírica e épica, teatro e crônicas.
Pero Vaz de Caminha
José de Anchieta
Valorização do homem (antropocentrismo); paganismo (maravilhoso pagão); superioridade do homem sobre a natureza; objetividade; racionalismo; universalidade; saber concreto em detrimento do abstrato; retomada dos valores greco-romanos; rigor métrico, rímico e estrófico: equilíbrio e harmonia.
Barroco
1580
Morte de Camões
Portugal sob o domínio espanhol.
Gêneros: oratória sacra, política e social;
poesia religiosa, satírica e lírico-amorosa.
Pe. Antônio Vieira
(oratória)
1601
Bento Teixeira: publicação de Prosopopéia
Pe. Antônio Vieira (oratória)
Gregório de Matos (poesia)
Arte dos contrastes: antinomia homem - céu, homem - terra; visualização e plasticidade; fugacidade; não-racionalismo; unidade e abertura (perspectivas múltiplas para o observador); luta entre o profano e o sagrado. Culto a elementos evanescentes (água/vento). Sentido de transitoriedade da vida; carpe diem (aproveitar o momento); valorização do presente, movimento ligado ao espírito da Contra - Reforma; jogos de metáforas; riqueza de imagens; gosto pelo pormenor; malabarismo verbal – uso de hipérbato, hipérbole, metáforas e antíteses. 
Arcadismo
1756
Fundação da Arcádia Lusitana.
Gênero: poesia
Bocage (poesia)
1768
Cláudio Manuel da Costa:
Obras Poéticas
Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga (poesia lírica e épica)
Basílio da Gama e Santa Rita Durão (poesia épica)
Arte do equilíbrio e harmonia; busca do racional, do verdadeiro e da natureza; retorno às concepções de beleza do Renascimento; poesia objetiva e descritiva; áureas mediocritas: o objetivo arcádico de uma vida serena e bucólica; pastoralismo; valorização da mitologia; técnica da simplicidade. Literatura linear e regrada: inutilia truncat (cortar o inútil).
Romantismo
1825
Almeida Garrett
Publicação do poema Camões
Gêneros: prosa (romance e novela)
poesia e teatro.
1836
Gonçalves de Magalhães
Publicação de Suspiros Poéticos e Saudades
Poesia: Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Castro Alves.
Prosa: (urbanos) Alencar, Joaquim Manuel de Macedo, Manuel Antônio de Almeida; (regionalistas) Alencar, Bernardo Guimarães, Taunay; (indianista-histórico) Alencar 
1ª Geração: nacionalismo, ufanismo, natureza, religião, indianismo/medievalismo.
2ª Geração: mal do século, evasão, solidão, profundo pessimismo, anseio da morte.
3ª Geração: condoreirismo, liberdade, oratória de reivindicação, transição para o Parnasianismo, literatura social e engajada.
Geral: imaginação, fantasia, sonho, idealização, sonoridade, simplicidade, subjetivismo, sintaxe emotiva, liberdade criadora. 
Realismo/ Parnasianismo/
Naturalismo
1865
Questão Coimbrã: Antero de Quental contra Castilho (Novos x Velhos)
Gêneros: prosa (romance, conto, crônica), poesia, crítica.
Prosa: Eça de Queirós
 
 
Poesia: Antero de Quental, Cesário Verde, Guerra Junqueiro.
1881
Machado de Assis
Publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas/ Realismo
Aluísio de Azevedo
Publicação de O Mulato/ Naturalismo
Década de 80
Definição do ideário parnasiano.
Prosa: Machado de Assis, Aluísio Azevedo, Raul Pompéia
Poesia: Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Raimundo Correia, Vicente de Carvalho.
Realismo: preocupação com a verdade exata, observação e análise, personagens tipificadas, preferência pelas camadas altas da sociedade. Objetividade. Descrições pormenorizadas. Linguagem correta, no entanto é mais próxima da natural, maior interesse pela caracterização que pela ação – tese documental.
Naturalismo: visão determinista do homem (animal, presa de forças fatais e superiores – meio, herança genética, fisiologia, momento). Tendência para análise dos deslizes de personalidade. Deturpações psíquicas e físicas. Preferência pela classe operária. Patologia social: miséria, adultério, criminalidade, etc – tese experimental.
Parnasianismo: arte pela arte, objetividade, poesia descritiva, versos impassíveis, exatidão e economia de imagens e metáforas, poesia técnica e formal, retomada de valores clássicos, apego à mitologia greco-romana.
Simbolismo
1890
Eugênio de Castro
Publicação de Oaristos
Gêneros: poema e prosa.
Poesia: Camilo Pessanha
1893
Cruz e Sousa
Publicação de Missal (prosa poética) e Broquéis (poesia).
Poesia: Cruz e Sousa e Alphonsus de Guimaraens, Pedro Kilkerry, Emiliano Perneta.
Simbolismo: reação contra o positivismo, o Naturalismo e o Parnasianismo; individualismo, subjetivismo psicológico, atitude irracional e mística, respeito pela música, atitude irracional e mística, respeito pela música, cor, luz; procura das possibilidades do léxico.
     Pré-Modernismo

Difícil identificação do período dado a conturbação da 1ª guerra e momento político onde Portugal elegia seu 1º presidente da República (1911).
Destaque para o escritor português Luís de Freitas Branco
1914- 1ª Guerra Mundial
1917- Revolução Russa
1902
Publicação de Os Sertões, de Euclides da Cunha; Canaã, de Graça Aranha.
Prosa: Monteiro Lobato, Euclides da Cunha, Lima Barreto, Graça Aranha.
Poesia: Augusto dos Anjos;
Pré-Modernismo: tendência das primeiras décadas do século XX, sentido mais crítico, fixando diferentes facetas da realidade social, política ou alterações na paisagem e cor local.
             Modernismo

1915- Publicação da Revista Orpheu (influenciada pelas grandes correntes estéticas europeias apresentando uma poesia de cunho altamente complexo).
Principais autores do Modernismo português
Fernando Pessoa
Mario de Sá Carneiro
Almada Negreiros
Características:
Rompimento com o passado
Nacionalismo crítico
Questionamento da situação social e cultural do país

1922
Surge em oposição clara aos clássicos e parnasianos com a Semana da arte Moderna no Teatro Municipal em São Paulo.Destaque para a obra “Os sapos” de Manuel Bandeira.

De 1922 a 1930- 1ª fase do Modernismo


De 1930 a 1945- 2ª fase.


De 1945 a 1970 aproximadamente-3ª fase

Principais movimentos e correntes do Modernismo:
Impressionismo
Pós-Impressionismo
Fauvismo
Cubismo
Expressionismo
Surrealismo
Concretismo
Futurismo
Pop Art


Modernismo

A Semana da Arte Moderna caracterizou-se pela exposição de vários tipos de artes encaradas do ponto revolucionário, de mudança ao tradicional clamava por liberdade de expressão e arte calcada em moldes nacionais.. O momento histórico-político-social exigia uma ruptura com tudo o que estava sendo feito em matéria de arte até aquele momento. Destacaram-se:
Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Di Cavalcanti (idealizador do evento),Picasso (artista estrangeiro) –(pintura).
Oswald e Mario de Andrade, Manuel Bandeira, Guilherme de Almeida, Vinicius de Moraes, Carlos Drummond entre outros (literatura)
Orson Welles (cinema)
Isadora Duncan (dança)
Cartier, Bresser (fotografia)
Victor Brecheret (escultura)
Pós-Modernismo
Momentos de ceticismo, perante o progresso científico e promessas de liberdade da humanidade onde os antigos valores são questionados e valorizados os movimentos sociais, nacionalistas e religiosos etc. assim caracterizados:
Anos 70 e 80: lirismo e expressões individuais de sentimentos. Expoentes Antonio Fraco Alexandre, João Miguel Fernandes Jorge (70)
José Emílio Neto (80)
Anos 90: poesia da heurística (descoberta), sentimental (reflete a experiência emocional do mundo: Jorge Reis Sá.


No romance, a ruptura com estéticas anteriores não é abrupta e tem influências norte-americanas com toda a certeza.
O delfim (José Cardoso Pires) onde prevalece o romance realista urbano total.

De 1970 (aproximadamente)  até os dias atuais
Não apresenta mudanças bruscas que apresentem ruptura com o Modernismo, Caracteriza-se segundo Afrânio Coutinho pela pluralidade de estilos e tendências mais evidenciadas nos escritores da década de 1980. Prevalecem nesse estágio como temas: esquizofrenia, uso exacerbado da intertextualidade, exercício da metalinguagem, ecletismo estilístico, fragmentarismo textual, anseio pela pluralidade, ênfase no cotidiano, polifonia de vozes, intensificação do lúdico na criação literária, androgenia, hedonismo (coloca o prazer e satisfação pessoal acima de tudo).

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Explicações complementares





As escolas literárias, também conhecidas como movimentos literários, são como as ondas do mar, feitas de altos e baixos. Os ápices destes movimentos se alteram por duas diferentes linhas de pensamento e estilo. A linha dionisíaca deriva do nome Dionísio, deus grego do vinho e da emoção. As escolas literárias que se encontram nesta linha dionisíaca têm como características a emoção, o lirismo, o subjetivismo. Ao contrário, a linha apolínea (derivada do nome Apolo, deus da razão) representa o equilíbrio, a lucidez, o objetivismo.

Há uma grande diferença entre literatura NO Brasil e literatura DO Brasil. Acontece que toda a produção literária feita no Brasil, desde a carta de Caminha até o Barroco, não se pode afirmar que seja literatura nacional, legitimamente brasileira. Pois ainda estávamos sob domínio de Portugal, o pensamento era de uma literatura colonial que ainda não tinha desfeito o cordão umbilical com a metrópole. Só então com o Romantismo que a literatura tupiniquim floresce. E, coincidentemente, era a estação de nossa independência política, econômica e cultural.

Analisando o gráfico, percebe-se ainda que a partir do Modernismo acontece um desequilíbrio nessa freqüência uniforme. A razão e a emoção se abraçam. A poesia e os poetas encontram a real liberdade de criação. Não existirá desde então, uma escola vigente ou regente de tendências. É o encontro do velho com o novo. Sem fórmulas, leis ou teoremas de como se fazer versos. Apenas poetizar.

(Extraído de www.akio.com.br)

Queridos alunos do 1º ano (EJA) da EE Casimiro de Abreu:


Continuando nossa aula de literatura iniciada em classe e reforçada na aula em PowerPoint na sala de multimídia, veremos agora o início da literatura portuguesa, uma vez que aqui no Brasil ainda não havia literatura, o país não havia sido descoberto.
O primeiro documento escrito em versos de Portugal é essa cantiga, a estética literária é o Trovadorismo. Só para situar, este texto é escrito ainda em galego-português por volta de 1189 ou 1198. Queiram, por gentileza, imprimir mais  esse texto.

Tema: Amor platônico de um plebeu por uma mulher nobre e inacessível.
Eu lírico masculino.
Poesia dedicada à Dna.  Maria Pais Ribeiro, apelidada de Ribeirinha, concubina de D. Sancho I de Portugal.


CANTIGA DA RIBEIRINHA

Autor: Paio Soares de Taveirós


Do  mundo non me sei parelha,
mentre me for' como me vai,
ca ja moiro por vós - e ai!
mia senhor branca e vermelha.
Queredes que vos retraia* 
quando vos eu vi em saia*!
Mao dia me levantei, 
que vos enton non vi fea!


E, mia senhor, des aquel di', ai!
me foi a mi muin mal,
e vós, filha de don Paai Moniz
E ben vos semelha
d'haver eu por vós guarvaia*,
pois eu, mia senhor, d'alfaia
Nunca de vós ouve nem ei
valia d'ua correa*.

*guarvaia é um manto luxuoso, provavelmente de cor vermelha, usado pela nobreza.
*saia-roupa íntima.
*correa-coisa sem valor.
*retraia-descreva.

PARÁFRASE EM PORTUGUÊS

No mundo ninguém se assemelha a mim
Enquanto a vida continuar como vai,
Porque morro por vós e-ai!-
Minha senhora alva e de pele rosada,
Quereis que vos retrate
Quando eu vos vi sem manto!
Maldito seja o dia em que me levantei
 E então não vos vi feia!

E, minha senhora, desde aquele dia, ai!
Tudo me ocorreu muito mal!
E a vós, filha de Dom Paio Moniz,
Parece-vos bem
Que me presenteeis com uma guarvaia,
pois eu, minha senhora, como presente
Nunca de vós recebera algo, 
Mesmo que de ínfimo valor.

Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cantiga_da_Ribeirinha


19 de mar de 2014

Boa-noite, alunos do 2º ano do Ensino Médio (EJA)


Posto aqui para vocês o conteúdo a ser visto esta semana sobre literatura. Façam a gentileza de imprimir e trazer para a classe nas próximas aulas. Na impossibilidade, falem comigo. Obrigada.

GÊNEROS LITERÁRIOS


Há dois grandes gêneros em literatura: o lírico e o épico.


Lírico - Expressão de sentimentos individuais, geralmente o “eu” do autor (subjetivismo). 1ª pessoa do singular no tempo presente.
Épico- Expressão de sentimentos ou narrativas sobre a coletividade, um povo ou sociedade em especial. São epopeias e os fatos são geralmente narrados no passado.
Há também o gênero drama- Fala sobre os conflitos das relações humanas. Geralmente esse gênero pertence ao teatro. Ex: Auto da compadecida, O alienista etc.

Camões lírico

Fonte: http://www.citi.pt/ciberforma/ana_paulos/ficheiros/lusiadas.pdf

Amor é fogo que arde sem se ver

1  2   3   4  5     6    7   8    9   10
A/mor/ é/ fo/go/ que ar/de/ sem/ se/ ver/;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

                           Luís de Camões

Camões épico
Os Lusíadas
Versos decassílabos heróicos acento na 6ª e 10ª sílabas

Canto I
 1       2      3        4       5      6       7    8   9   10
As /ar/mas /e os /Ba/rões /as/si/na/la/dos
Que/ da O/ci/den/tal/ prai/a/ Lu/si/ta/na

Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;
E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando,
E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da Morte libertando,
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

Cessem do sábio Grego e do Troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandro e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram.
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.
Existem verbos decassílabos sáficos: Acentuação na 4ª, 8ª e 10ª sílabas