Sobre este blog

Ser mestre é ser um semeador; não qualquer um deles, entretanto, aquele semeador que não escolhe o solo em que vai lançar sua semente e que não se queixa ou questiona se o solo é seco, árido ou fértil, porque o essencial é semear...



12 de ago de 2014

Eis-me aqui novamente para postar a matéria da última aula do projeto: Técnicas de redação.

Passemos agora à redação literária como já explicitado, um texto que depende da criação de um autor ao desenvolver um tema em determinado gênero.
Se no texto oficial não pode haver ficção e o vocabulário é técnico e padrão, na literária a criatividade e a variação do vocabulário é essencial para caracterizar um bom texto. 

1- O GÊNERO DESCRITIVO


Esse será o primeiro gênero a ser explorado por esse projeto em matéria de texto literário.
É uma forma de representar com palavras aquilo que vemos e podemos caracterizar cenas, objetos, pessoas, paisagens etc. de uma maneira própria.
O gênero descritivo não existe isoladamente, porém está inserido no processo narrativo quando precisamos caracterizar o espaço (lugar onde se passa a cena do episódio que vamos contar), ou pessoas (personagens), cenas e objetos.
Para descrever bem, é preciso, antes de tudo, ser um observador, criterioso na escolha dos adjetivos e locuções para caracterizar os nomes; advérbios, preposições ou locuções para localizá-los na cena, bem como fazer deduções, ter imagens estéticas belas para criar um estilo.
O mais importante é levantar todas as informações a respeito daquilo que está sendo descrito. E como técnica e amadurecimento daquele que descreve devem ser evitados os verbos de estado (ser, estar, parecer, ficar etc) se a cena descrita é estática (sem movimento).
Para aguçar e  facilitar a observação, propõe-se a construção do seguinte quadro para levantamento dos dados:

Descreveremos o quadro Tarde em Toulon, já discutido em classe, de João Batista Castagneto ( imagem abaixo)








Toulon- França 1893.



SUBSTANTIVOS
ADJETIVOS
LOCALIZAÇÕES
IMAGENS
O quadro Tarde em
Toulon
impressionista,
de João Batista
Castagneto
Mostra uma típica paisagem
à beira-mar
Três barcos
de passageiros
Ancorados em dia-
gonal, junto à praia
Provavelmente aguardam
a hora da partida
O maior deles
desbotado e gasto
pelo tempo
Preso à margem por uma
escora de madeira
Exibe fracas tonalidades de
branco e cinza
Uma lona
Velha, ocre
Jogada sobre o mastro
 protege do sol as pessoas no
seu interior
A embarcação
Menor
à direita do observador 
deixa à mostra apenas um
pedaço da proa e da vela
Outro bote
De tamanho médio,
 com o remo roçando
as águas
traz a alva vela eriçada com jeito
 de que vai partir
Os ocupantes
Poucos e tranqüilos
sentados
parecem conversar entre si
O vigor das pincela-
das
Deixadas propositalmen-
te pelo artista
No óleo sobre tela
tanto na areia, como no
mar
Sugerem a ideia de movimento
O céu
Alvacento e nublado
Mais ao longe
Não se distingue do oceano























Na montagem do texto, as frases são copiadas sem o acréscimo de novas palavras ou verbos de estado, sendo que sua estrutura pode ser iniciada por qualquer uma das partes do quadro acima.
Aliás, devemos variar seu início a cada nova frase, como veremos na montagem.

MONTAGEM DO TEXTO

O quadro impressionista Tarde em Toulon de João Batista Castagneto mostra uma típica paisagem beira-mar. Ancorados em diagonal junto a praia, três barcos de passageiros provavelmente aguardam a hora da partida. O maior deles desbotado e gasto pelo tempo, preso à margem por uma escora de madeira, exibe fracas tonalidades de branco e cinza.Jogada sobre o mastro, uma lona velha, ocre protege do sol as pessoas no seu interior, enquanto que a embarcação menor à direita do observador, deixa à mostra apenas um pedaço da proa e da vela. Outro bote de tamanho médio com o remo roçando as águas traz a vela eriçada com um jeito de que vai partir. Sentados, os poucos e tranquilos ocupantes parecem conversar entre si. O vigor das pinceladas deixadas propositalmente pelo artista no óleo sobre tela, sugerem a ideia de movimento, tanto na areia como no mar. Mais ao longe, o céu alvacento e nublado não se distingue do oceano.
  

E, assim, podemos descrever de forma mais criteriosa e madura qualquer cena deste tipo. Espero que tenham gostado.







  

11 de ago de 2014

CRASE ANTES DOS PRONOMES DE TRATAMENTO

Para começar, temos que diferenciar dois tipos de acentos gráficos:
a) acento agudo (´) - é usado para representar os sons de vogais  abertas e ditongos abertos. Ex: café, mocotó, sofá, heróico, chapéu.
b) acento grave (`) - é usado quando duas vogais a unem-se e se fundem em apenas um, sendo que um deles é uma preposição (para, em ) + um artigo caracterizando a crase.
Ex: Dirigiu-se à sala.  
à= para+a
* Observe bem a posição da grafia dos dois tipos de acentos.
No vocativo, precisamos estar atentos para o possível uso da Crase, que nem sempre ocorre.

Não colocamos crase do modo como queremos, seu uso tem uma regulamentação da gramática normativa. No caso dos pronomes de tratamento, a regra geral é que não devemos usá-la antes deles, mas há exceções: a crase é obrigatória antes de:
senhora
senhorita
madame
dona
Ex: Entreguei a carta à senhorita Marlene. à=  para + a.
Já em: Junto-me a Vossa Excelência nessa missão. (não há a união de dois as verifica-se aí, apenas, a preposição com.

EXERCÍCIOS (JÁ FORAM FEITOS E CORRIGIDOS NA MAIORIA DAS SALAS)

1- Dirigi-me a Vossa Senhoria para entregar a correspondência.
2- Refiro-me a Vossa Eminência da cidade de São Paulo.
3- A encomenda deverá ser entregue a dona Júlia apenas.
4- Alguém explicou a Vossa Santidade onde está o livro dourado?
5- Fale a senhorita Lili.
6- Leve essa pasta imediatamente a Vossa Magnificência.

Faça os exercícios em seu caderno e a correção virá depois. Até mais!

Correção dos exercícios acima:

1- Dirigi-me a Vossa Senhoria para entregar a correspondência.
Não uso a crase antes do pronome de tratamento grifado (não há a união de um a preposição + um a artigo)
2- Refiro-me a Vossa Eminência da cidade de São Paulo.
Também não ocorre a crase antes do pronome grifado pelo mesmo motivo acima.
3- A encomenda deverá ser entregue à dona Júlia apenas.
Usa-se a crase antes do pronome de tratamento sublinhado acima (ocorre aí um a preposição= para + um a artigo que acompanha o pronome dona).
4- Alguém explicou a Vossa Santidade onde está o livro?
Não se usa crase antes do pronome de tratamento sublinhado acima.
5- Fale à senhorita Lili.
Ocorre a crase antes do pronome de tratamento senhorita ( acontece a fusão dos dois as- para a.
6-  Leve esta pasta imediatamente a Vossa Magnificência.
Não ocorre a crase antes do pronome de tratamento sublinhado.

Observação:
Espero que tenham entendido a crase neste caso específico do pronome de tratamento e saibam aplicá-la corretamente quando elaborarem seus textos oficiais. Até a próxima!


BOA-NOITE, CAROS ALUNOS,


Dando continuidade ao assunto requerimento, eis aqui alguns pronomes de tratamento usados no vocativo e no corpo do texto :


Em função do ensino do requerimento, posto abaixo um quadro com os pronomes de tratamento que eventualmente podemos usar em nossos documentos para diferentes autoridades.

PRONOMES DE TRATAMENTO

São aqueles que acompanham o substantivo e são usados no trato cerimonioso das pessoas de acordo com o seu nível de estudo e posição social.
A exceção é   o pronome de tratamento você que é usado apenas no trato informal (no dia a dia).


Principais pronomes de tratamento:



Pronomes
Abreviatura (Singular)
Abreviatura
(Plural)
Emprego
Você
vc (v)
vcs (vs)
informal
Vossa Senhoria
V.Sª
V. Sªs
Cidadão comum, trato comercial
Vossa Excelência
V.Exª
V. Exªs
altas autoridades, políticos,procuradores, desembargadores
Vossa Magnificência
V. Magª
V.Magªs
Reitores de universidades
Vossa Reverendíssima
V. Revmª
V. Revmªs
Sacerdotes, padres
Vossa Eminência
V. Emª
V. Emªs
Cardeais, bispos
Vossa Santidade
V.S
______
Papa, Dalai Lama
Vossa Majestade
V.M
V.V.M. M
Reis, rainhas, imperadores
Vossa Alteza
V. A
V.V.A.A
Príncipes, princesas, condes, duques
Senhor (a)
Sr. /Srª
Srs./Srªs
Respeitoso, homens e mulheres de mais idade
Senhorita
Srtª
Srtªs
Mulheres jovens

Com relação ao tratamento aos juízes de uma maneira específica, usamos Meritíssimo Juiz (para o Masculino e no feminino flexionamos apenas o substantivo juíza).
A abreviatura é MM. Juiz ou MM. Juíza e também é usada desta forma no plural.