Sobre este blog

Ser mestre é ser um semeador; não qualquer um deles, entretanto, aquele semeador que não escolhe o solo em que vai lançar sua semente e que não se queixa ou questiona se o solo é seco, árido ou fértil, porque o essencial é semear...



23 de ago de 2013

Prezados alunos do 3º ano E do Ensino Médio Curso Noturno da EE Leme do Prado, estas considerações são para vocês e para outros alunos que realizaram a Avaliação Diagnóstica da Diretoria Centro de São Paulo:

Comentarei especificamente nesta postagem a prova de produção de texto de opinião, matéria complexa para muitos alunos não simpatizantes com a leitura e consequentemente com  a criação de um texto argumentativo.
É uma pena, porém, realidade brasileira, que grande parte dos nossos alunos não desenvolveram  o gosto pela leitura, é uma falha grave na nossa Educação, que principia já em tenra idade dentro dos nossos lares. Não há tempo  necessário, nem conhecimento por parte de nossa sofrida sociedade, que se mata pela sobrevivência, em criar  atitudes voltadas à leitura, que, na realidade deveriam vir do exemplo dos pais que necessitariam  praticá-la diariamente em casa. Dizem que o maior ensinamento vem do exemplo, e essa é a mais pura realidade, se não lemos, como cobrar de nossos filhos? Se não valorizamos a intelectualidade e a trocamos por coisas materiais e supérfluas, como querer que nossos filhos sejam intelectuais?
A questão é complicada, contudo, as lamentações sobre o que deveria ter sido feito aqui e ali, de nada resolverão se não arregaçarmos as mangas e partirmos em busca do prejuízo, porque certamente há um grande deficit, uma grande lacuna na formação pessoal sem a importante "habilidade" de ler e escrever. Digo habilidade, porque com o tempo de exercício constante adquirem-se qualidades e experiência que sem o treino específico destas atividades não nos será possível alcançar o objetivo do entendimento completo do que é um texto.
Falemos exatamente sobre o tema proposto na Avaliação Diagnóstica deste ano, 2013, que para vocês foi propícia para um treinamento à prova do ENEM que se aproxima no final do ano letivo.
Numa primeira instância, teremos que distinguir os gêneros dos textos, sabendo-lhes suas características próprias, pois a forma de expressão de cada um deles é diferente e todos sabemos que as avaliações externas são seletivas, não perdoam as falhas, sendo assim, temos que buscar a perfeição naquilo que fazemos.
O texto de opinião requer amadurecimento da linguagem escrita, conhecimento do assunto sobre o qual iremos escrever, além de saber enquadrá-lo no gênero solicitado que no caso em questão é o texto argumentativo.
Mas afinal, o que é argumentar? Digamos que seria semelhante ao debate de uma questão relevante entre a sociedade onde várias opiniões ficam registradas, principalmente a nossa, distribuídas com elegância, ética e conhecimento.Porém, esse tipo de texto não se detém apenas nisso, mas nele repousa todo o nosso conhecimento adquirido através de leituras de textos e de mundo (ouvir todas as vozes sobre o tema a ser debatido) e, pelo menos, alguns conhecimentos científicos que possam deixar em seu texto é essencial. Para isso, as Ciências em geral, nos dão o devido suporte, daí a importância de todas as matérias do currículo escolar. Além disso, durante o desenvolvimento da redação devemos, antes de concluir, oferecer soluções ao problema apresentado, intervindo na causa como forma de evitá-lo ou solucioná-lo. Somente depois disso poderemos concluir.
A avaliação em si propunha como já de costume o desenvolvimento de  um texto relativamente extenso para quem não está acostumado a escrever,  20 a 30 linhas onde alguns não sabem exatamente nem como começar.
Este tipo de redação deve apresentar  uma linguagem concisa (frases explícitas em linguagem formal onde a seleção do vocabulário é essencial) com precisão da convenção escrita: letra legível, grafia correta, acentuação, pontuação adequada etc. além da obediência aos mecanismos de concordância, regência entre outros. 
Nesta parte formal da linguagem, acredito ter-lhes elucidado auxiliando com os 34 tipos de  desvios relacionados e ocorridos na classe por ocasião da elaboração dessa avaliação.
Alcançar esse objetivo não é tarefa fácil, porém não impossível. O único requisito é a vontade, a disposição para o trabalho.
Um texto como esse deve ser redigido em três ou quatro parágrafos e jamais, atentem para isso, deve haver fuga da leitura das propostas que vêm em forma de textos verbais ou não verbais (como suporte). Destes, vocês retirarão o embasamento para suas ideias, entretanto, nunca copiem trechos dessas propostas ou fiquem se perdendo a comentar longamente cada um deles como forma de "encher linguiça", pois este será um tempo perdido e palavras jogadas ao vento sem valor algum para um examinador, pois tenha em mente que escrevem para um examinador.
Tampouco devem ser omitidas as três partes essenciais que o gênero argumentativo exige:

1- A Introdução



 Onde o assunto é lançado com o maior carinho possível, como se fosse uma semente delicada a ser lançada no solo, prepare antes o conteúdo elaborando-o mentalmente, cuide para não colocar o título do texto antes de terminá-lo, pois a tendência é repeti-lo na Introdução e a repetição indica pobreza de linguagem.
Nesse momento vocês devem ter em mente o tema da redação. No caso, o tema era "A prevenção ao uso de drogas"e deveriam ter lido dois textos verbais sobre o assunto: o primeiro deles se iniciava com a definição do que é a prevenção efetiva e ideal para esse caso grave que assola não só a população brasileira como a de outros países e o texto de suporte ia esclarecendo basicamente como devem ser as atitudes e campanhas a serem  apresentadas para o problema.Uma vez que para alcançarmos o nosso objetivo é preciso seriedade, não devemos perder tempo em brincadeiras e divagações como aconteceu na sala no dia da avaliação, isso não acontece com todos os alunos obviamente, mas há aqueles menos amadurecidos e descompromissados com sua formação, infelizmente, fato que será lamentado pelos próprios, futuramente.
O segundo texto base da proposta versava sobre as estatísticas do uso de drogas e da incidência do vício já na adolescência e por vezes até na infância, ressaltando para o vício precoce de outras substâncias que abririam as portas para  o uso de drogas, além de oferecer comentários de profissionais da psicologia sobre a atuação dessas substâncias no organismo humano. 
Para começo de conversa, quem não prestou atenção a esses textos da proposta correu sérios riscos de fuga do tema e quem foge do tema proposto em uma avaliação perde muitos pontos e não é isso o que desejamos, não é?
Fico por aqui hoje e na próxima postagem continuarei a explanação detalhada dos outros itens exigidos por um  texto de opinião. Espero que tenha sido útil. Até mais!

Convido a todos para visitarem meu outro espaço dedicado apenas à literatura onde predominam textos de opinião sobre os mais variados temas. Sejam benvindos!!! Não deixem de ler o texto sobre o assunto acima especificado: A prevenção ao uso de drogas em : litteraeart.blogspot.com

21 de ago de 2013

Viagem através do tempo

Prezados alunos e visitantes:


Sejam muito benvindos nesse espaço que criei para recebê-los. Antes de postar algumas aulas e materiais didáticos, publiquei esse texto de abertura para que comecemos a nos aquecer  mentalmente e a refletir sobre as mudanças sofridas na sociedade e no nosso meio através dos tempos.
Praticar o exercício do "sentir" é o primeiro passo para que possamos usar da palavra que nasce do âmago e salta para o papel.
Aquele que não usa da sensibilidade jamais mudará o mundo, jamais perceberá as mudanças que nos poderão ser úteis ou fatais no amanhã. 
Espero que gostem do texto.




Há muito, em uma prova ou concurso foi pedido o desenvolvimento do tema: “Se eu pudesse viajar no tempo”

Fiquei instigada a participar também e meditando a respeito da sociedade atual em comparação a um passado não muito distante escrevi o texto abaixo cujo conteúdo fiz publicar em um jornal da cidade de Rio claro onde residia na época:



Se eu pudesse viajar no tempo com certeza não gostaria de vislumbrar um mundo futurístico, pois creio que muitas coisas para mim tristes, estariam reservadas: a automatização do ser humano com o absoluto predomínio da máquina implacável-personagem principal, em detrimento do próprio homem - que lástima! Meios naturais: vegetação, ar, águas, totalmente transformados pelas mãos dos chamados, progresso e desenvolvimento.

Por esses e outros motivos é que jamais compraria uma viagem para uma visita ao futuro, mas certamente iria para locais de um passado não muito distante... A minha juventude!

Na velocidade da luz, voaria para os fins da década dos sessenta e indubitavelmente encontrar-me-ia em uma das praças da minha querida cidade natal. Não como está nos dias de hoje; semidestruída, ocupada por mendigos e pessoas dominadas e corrompidas pelo vício.

Hoje, a praça já não é a mesma de outrora. A miséria espiritual e econômica da humanidade ali está representada, hasteando suas bandeiras pelos quatro cantos. Evita-se passar por ali, por medo, ou até mesmo para impedir que uma depressão imensa tome conta de nós; seres que a vimos em todo o seu esplendor, exibir sua fonte de águas coloridas pelas luzes noturnas de domingos gloriosos, agora mascarada de abrigo para sub homens reproduzindo diariamente o cenário de “Os Miseráveis” onde da mesma forma Victor Hugo nos apontou tão fielmente uma amostra da deplorável decadência e indignidade moral a que o ser humano foi relegado.

Antes, era a praça local mais solicitado da cidade, ponto obrigatório de encontro para reuniões domingueiras, de comentários, entrosamento, lazer, alegria... E sobretudo interação entre os homens que podiam ainda na época serem assim chamados em toda a totalidade do significado que esta palavra encerra. Não haviam ainda lhe sido roubados totalmente os aspectos morais, espirituais, humanitários e, sobretudo a sua liberdade de pensamento, amplamente desenvolvida através da análise e espírito crítico coerentes.

Nessa época em que todos lotavam as praças com seus sorrisos sinceros, onde toda a classe social era bem-vinda, não havia ainda adentrado no coração das pequenas cidades, o germe dos meios de comunicação de massa, que tanto contribuíram para levar o homem ao isolamento, ao distanciamento do seu companheiro e da realidade de sua cidade.

E com que simplicidade e prazer se expectava o fim de semana com seus personagens áureos: cinema e praça!

Assistiam-se aos filmes que eram discutidos, analisados e admirados por toda a coletividade, numa verdadeira terapia que ainda não permitia a proliferação de psicólogos e psicanalistas- coisas do futuro...

A população vibrava feliz com seu pequeno cinema, seu mundo encantado, sem a monotonia, solidão e saturação diária produzidas pelas videolocadoras encerradas em suas fitas apropriadas para o consumo em larga escala- capitalismo cultural.

Produzia-se arte que não se caracterizava como comércio de consumo, não se corrompia ao poder de grandes grupos.

Romeu e Julieta I,II,III...Jamais!

Ah! que vontade de voltar...