Sobre este blog

Ser mestre é ser um semeador; não qualquer um deles, entretanto, aquele semeador que não escolhe o solo em que vai lançar sua semente e que não se queixa ou questiona se o solo é seco, árido ou fértil, porque o essencial é semear...



8 de mar de 2014

Boa-noite, caros alunos do 3º ano do Ensino Médio do EJA Casimiro de Abreu.
Essa postagem vai para vocês, é o primeiro texto que estamos trabalhando. Trata-se da poesia moderna de Vinicius de Moraes, poeta da 2ª geração modernista, cujas características estudaremos em classe. Se houver possibilidade imprimam esse texto para trazerem para a próxima aula.

  

O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO



E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo: — Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu. E Jesus, respondendo, disse-lhe: — Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás(Lucas, cap. IV, versículos 5-8).



Era ele que erguia casas 

Onde antes só havia chão. 
Como um pássaro sem asas 
Ele subia com as casas 
Que lhe brotavam da mão. 
Mas tudo desconhecia 
De sua grande missão: 
Não sabia, por exemplo 
Que a casa de um homem é um templo 
Um templo sem religião 
Como tampouco sabia 
Que a casa que ele fazia 
Sendo a sua liberdade 
Era a sua escravidão. 



De fato, como podia 
Um operário em construção 
Compreender por que um tijolo 
Valia mais do que um pão? 
Tijolos ele empilhava 
Com pá, cimento e esquadria 
Quanto ao pão, ele o comia... 
Mas fosse comer tijolo! 
E assim o operário ia 
Com suor e com cimento 
Erguendo uma casa aqui 
Adiante um apartamento 
Além uma igreja, à frente 
Um quartel e uma prisão: 
Prisão de que sofreria 
Não fosse, eventualmente 
Um operário em construção. 



Mas ele desconhecia 
Esse fato extraordinário: 
Que o operário faz a coisa 
E a coisa faz o operário. 
De forma que, certo dia 
À mesa, ao cortar o pão 
O operário foi tomado 
De uma súbita emoção 
Ao constatar assombrado 
Que tudo naquela mesa 
- Garrafa, prato, facão - 
Era ele quem os fazia 
Ele, um humilde operário, 
Um operário em construção. 
Olhou em torno: gamela 
Banco, enxerga, caldeirão 
Vidro, parede, janela 
Casa, cidade, nação! 
Tudo, tudo o que existia 
Era ele quem o fazia 
Ele, um humilde operário 
Um operário que sabia 
Exercer a profissão. 



Ah, homens de pensamento 
Não sabereis nunca o quanto 
Aquele humilde operário 
Soube naquele momento! 
Naquela casa vazia 
Que ele mesmo levantara 
Um mundo novo nascia 
De que sequer suspeitava. 
O operário emocionado 
Olhou sua própria mão 
Sua rude mão de operário 
De operário em construção 
E olhando bem para ela 
Teve um segundo a impressão 
De que não havia no mundo 
Coisa que fosse mais bela. 



Foi dentro da compreensão 
Desse instante solitário 
Que, tal sua construção 
Cresceu também o operário. 
Cresceu em alto e profundo 
Em largo e no coração 
E como tudo que cresce 
Ele não cresceu em vão 
Pois além do que sabia 
- Exercer a profissão - 
O operário adquiriu 
Uma nova dimensão: 
A dimensão da poesia. 



E um fato novo se viu 
Que a todos admirava: 
O que o operário dizia 
Outro operário escutava. 



E foi assim que o operário 
Do edifício em construção 
Que sempre dizia sim 
Começou a dizer não. 
E aprendeu a notar coisas 
A que não dava atenção: 



Notou que sua marmita 
Era o prato do patrão 
Que sua cerveja preta 
Era o uísque do patrão 
Que seu macacão de zuarte 
Era o terno do patrão 
Que o casebre onde morava 
Era a mansão do patrão 
Que seus dois pés andarilhos 
Eram as rodas do patrão 
Que a dureza do seu dia 
Era a noite do patrão 
Que sua imensa fadiga 
Era amiga do patrão. 



E o operário disse: Não! 
E o operário fez-se forte 
Na sua resolução. 



Como era de se esperar 
As bocas da delação 
Começaram a dizer coisas 
Aos ouvidos do patrão. 
Mas o patrão não queria 
Nenhuma preocupação 
- "Convençam-no" do contrário - 
Disse ele sobre o operário 
E ao dizer isso sorria. 



Dia seguinte, o operário 
Ao sair da construção 
Viu-se súbito cercado 
Dos homens da delação 
E sofreu, por destinado 
Sua primeira agressão. 
Teve seu rosto cuspido 
Teve seu braço quebrado 
Mas quando foi perguntado 
O operário disse: Não! 



Em vão sofrera o operário 
Sua primeira agressão 
Muitas outras se seguiram 
Muitas outras seguirão. 
Porém, por imprescindível 
Ao edifício em construção 
Seu trabalho prosseguia 
E todo o seu sofrimento 
Misturava-se ao cimento 
Da construção que crescia. 



Sentindo que a violência 
Não dobraria o operário 
Um dia tentou o patrão 
Dobrá-lo de modo vário. 
De sorte que o foi levando 
Ao alto da construção 
E num momento de tempo 
Mostrou-lhe toda a região 
E apontando-a ao operário 
Fez-lhe esta declaração: 
- Dar-te-ei todo esse poder 
E a sua satisfação 
Porque a mim me foi entregue 
E dou-o a quem bem quiser. 
Dou-te tempo de lazer 
Dou-te tempo de mulher. 
Portanto, tudo o que vês 
Será teu se me adorares 
E, ainda mais, se abandonares 
O que te faz dizer não. 



Disse, e fitou o operário 
Que olhava e que refletia 
Mas o que via o operário 
O patrão nunca veria. 
O operário via as casas 
E dentro das estruturas 
Via coisas, objetos 
Produtos, manufaturas. 
Via tudo o que fazia 
O lucro do seu patrão 
E em cada coisa que via 
Misteriosamente havia 
A marca de sua mão. 
E o operário disse: Não! 



- Loucura! - gritou o patrão 
Não vês o que te dou eu? 
- Mentira! - disse o operário 
Não podes dar-me o que é meu. 



E um grande silêncio fez-se 
Dentro do seu coração 
Um silêncio de martírios 
Um silêncio de prisão. 
Um silêncio povoado 
De pedidos de perdão 
Um silêncio apavorado 
Com o medo em solidão. 



Um silêncio de torturas 
E gritos de maldição 
Um silêncio de fraturas 
A se arrastarem no chão. 
E o operário ouviu a voz 
De todos os seus irmãos 
Os seus irmãos que morreram 
Por outros que viverão. 
Uma esperança sincera 
Cresceu no seu coração 
E dentro da tarde mansa 
Agigantou-se a razão 
De um homem pobre e esquecido 
Razão porém que fizera 
Em operário construído 
O operário em construção.


Este texto é da década de 50. Período histórico 1949-1956 (ano da criação do poema). Faz referência à passagem bíblica: Lucas, cap. IV, vs. 5-8:

[...] E o demônio o levou a um alto monte e lhe mostrou todos os reinos da redondeza da terra em um momento de tempo. E lhe disse: "Dar-te-ei todo este poder e a glória destes reinos, porque eles me foram dados, e eu os dou a quem me parece. Portanto, se tu na minha presença prostrado me adorares, todos eles serão teus". E respondendo Jesus  lhe disse: "Escrito está: ao senhor teu Deus adorarás e a Ele só servirás"[...] Fonte:Bíblia Sagrada. Edição Ecumênica. Ed Mirador.


A respeito desse momento histórico político e social de 1946 a 1959 encontrem subsídios em:

http://www.aeconomiadobrasil.com.br/artigo.php?artigo=87


5 de mar de 2014

Prezados alunos das séries do EJA da EE Casimiro de Abreu:


Posto aqui o material que será usado no semestre para correção dos seus textos nas aulas de redação. Por gentileza, quem tiver acesso a uma impressora, imprima e traga para as aulas de português, ou então copie manualmente:

Sistema de Correção de redações

Numeração dos erros


1- Grafia
2- Acentuação
3- mau emprego de palavra
4- Pontuação
5- Uso de linguagem coloquial
6-Estética, paragrafação, estrutura
7- Falta coesão, coerência, clareza
8- Uso de tempo verbal inadequado
9- Repetição de palavras, termos ou ideias
10-Faltou palavra ou termo
11- Concordância verbal ou nominal incorretas
12- Regência verbal ou nominal incorreta
13- Pleonasmo vicioso
14- Ambiguidade
15- Erro de colocação pronominal/ Mau emprego de pronome
16- Título pouco criativo ou inexistente
17-Fundamentar melhor a frase
18-Problemas com a Introdução, Desenvolvimento ou Conclusão
19-Erro de divisão silábica
20-Eco (colisão de sons)
21- Desfazer a inversão dos termos da frase
22- Erro de gênero ou número
23- Fechar Parênteses
24- Evitar muitas perguntas
25-Fazer pergunta indireta
26- Usar letra maiúscula ou minúscula
27- Saiu do  tema proposto
28-Informação errada
29- Cacófato
30- Fora do gênero
31-Letra ilegível
32- Sem orientação espacial
33- Faltou sequência lógica
34-Mudança de foco narrativo
35- Flexão de gênero ou número incorretos

Imprima também a lista das efemérides que serão exploradas nas aulas de redação:

10 de março - Dia do telefone nosso 1º trabalho


21 de abril - Tiradentes

01 de maio - Dia do Trabalho

17 de julho - Dia de Proteção às Florestas

10 de agosto - Dia dos Pais

07 de setembro - Dia da independência do Brasil

15 de novembro - Dia da Proclamação da República

Profª Maria Cristina Bastos Vannucchi