Sobre este blog

Ser mestre é ser um semeador; não qualquer um deles, entretanto, aquele semeador que não escolhe o solo em que vai lançar sua semente e que não se queixa ou questiona se o solo é seco, árido ou fértil, porque o essencial é semear...



20 de mar. de 2014

Essa postagem vai para todas as séries do EJA da  EE Casimiro de Abreu (CECA). É a linha do tempo em literatura, que situa historicamente a época em que cada estética literária existiu em Portugal e no Brasil. Todos devem ter esse material, cada série aprenderá um conteúdo conforme planejamento anual a ser explicado em classe. Essa tabela foi elaborada com base em pesquisa nos sites abaixo:

LITERATURA DE LÍNGUA PORTUGUESA - QUADRO CRONOLÓGICO. Fontes:

http://lusofonia.com.sapo.pt/literatura_portuguesa.htm (Pré-Modernismo-Pós-Modernismo português)


Cronologia e características dos movimentos literários
Estilo
Portugal
Brasil
Características
Trovadorismo
1189/1198
A Ribeirinha
Paio Soares de Taveirós
Gêneros: cantigas (poesia), novelas de cavalaria, nobiliários, hagiografias.
-
Cantigas de Amor: sofrimento, idealização, eu lírico masculino, ambiente da Corte, dama inacessível, caráter  analítico-discursivo.
Cantigas de Amigo: eu lírico feminino, confessional, ambiente popular, paixão incorrespondida, realista, narrativo-descritiva.
Cantigas de Escárnio e Maldizer: críticas indiretas ou diretas de pessoas ou fatos de uma época. Rica fonte de documentação. 
Humanismo
1418
Fernão Lopes, guarda-mor da Torre do Tombo.
Gêneros: historiografia, teatro popular, prosa doutrinária.
Gil Vicente (teatro)
-
Teatro: em poesia, versa sobre assuntos profanos ou religiosos; carpintaria teatral rudimentar; ausência de regras; sem unidade de ação, tempo e espaço. Aspectos críticos de uma sociedade em transição.
Classicismo
Quinhentismo
1527
Sá de Miranda
Introdução da medida nova.
Gêneros: poesia lírica, épica, teatro e crônicas.
Camões (poesia)
1500 (Quinhentismo)
1º Documento escrito em terras brasileiras: Carta a D. Manuel. 
Gêneros: poesia lírica e épica, teatro e crônicas.
Pero Vaz de Caminha
José de Anchieta
Valorização do homem (antropocentrismo); paganismo (maravilhoso pagão); superioridade do homem sobre a natureza; objetividade; racionalismo; universalidade; saber concreto em detrimento do abstrato; retomada dos valores greco-romanos; rigor métrico, rímico e estrófico: equilíbrio e harmonia.
Barroco
1580
Morte de Camões
Portugal sob o domínio espanhol.
Gêneros: oratória sacra, política e social;
poesia religiosa, satírica e lírico-amorosa.
Pe. Antônio Vieira
(oratória)
1601
Bento Teixeira: publicação de Prosopopéia
Pe. Antônio Vieira (oratória)
Gregório de Matos (poesia)
Arte dos contrastes: antinomia homem - céu, homem - terra; visualização e plasticidade; fugacidade; não-racionalismo; unidade e abertura (perspectivas múltiplas para o observador); luta entre o profano e o sagrado. Culto a elementos evanescentes (água/vento). Sentido de transitoriedade da vida; carpe diem (aproveitar o momento); valorização do presente, movimento ligado ao espírito da Contra - Reforma; jogos de metáforas; riqueza de imagens; gosto pelo pormenor; malabarismo verbal – uso de hipérbato, hipérbole, metáforas e antíteses. 
Arcadismo
1756
Fundação da Arcádia Lusitana.
Gênero: poesia
Bocage (poesia)
1768
Cláudio Manuel da Costa:
Obras Poéticas
Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga (poesia lírica e épica)
Basílio da Gama e Santa Rita Durão (poesia épica)
Arte do equilíbrio e harmonia; busca do racional, do verdadeiro e da natureza; retorno às concepções de beleza do Renascimento; poesia objetiva e descritiva; áureas mediocritas: o objetivo arcádico de uma vida serena e bucólica; pastoralismo; valorização da mitologia; técnica da simplicidade. Literatura linear e regrada: inutilia truncat (cortar o inútil).
Romantismo
1825
Almeida Garrett
Publicação do poema Camões
Gêneros: prosa (romance e novela)
poesia e teatro.
1836
Gonçalves de Magalhães
Publicação de Suspiros Poéticos e Saudades
Poesia: Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Castro Alves.
Prosa: (urbanos) Alencar, Joaquim Manuel de Macedo, Manuel Antônio de Almeida; (regionalistas) Alencar, Bernardo Guimarães, Taunay; (indianista-histórico) Alencar 
1ª Geração: nacionalismo, ufanismo, natureza, religião, indianismo/medievalismo.
2ª Geração: mal do século, evasão, solidão, profundo pessimismo, anseio da morte.
3ª Geração: condoreirismo, liberdade, oratória de reivindicação, transição para o Parnasianismo, literatura social e engajada.
Geral: imaginação, fantasia, sonho, idealização, sonoridade, simplicidade, subjetivismo, sintaxe emotiva, liberdade criadora. 
Realismo/ Parnasianismo/
Naturalismo
1865
Questão Coimbrã: Antero de Quental contra Castilho (Novos x Velhos)
Gêneros: prosa (romance, conto, crônica), poesia, crítica.
Prosa: Eça de Queirós
 
 
Poesia: Antero de Quental, Cesário Verde, Guerra Junqueiro.
1881
Machado de Assis
Publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas/ Realismo
Aluísio de Azevedo
Publicação de O Mulato/ Naturalismo
Década de 80
Definição do ideário parnasiano.
Prosa: Machado de Assis, Aluísio Azevedo, Raul Pompéia
Poesia: Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Raimundo Correia, Vicente de Carvalho.
Realismo: preocupação com a verdade exata, observação e análise, personagens tipificadas, preferência pelas camadas altas da sociedade. Objetividade. Descrições pormenorizadas. Linguagem correta, no entanto é mais próxima da natural, maior interesse pela caracterização que pela ação – tese documental.
Naturalismo: visão determinista do homem (animal, presa de forças fatais e superiores – meio, herança genética, fisiologia, momento). Tendência para análise dos deslizes de personalidade. Deturpações psíquicas e físicas. Preferência pela classe operária. Patologia social: miséria, adultério, criminalidade, etc – tese experimental.
Parnasianismo: arte pela arte, objetividade, poesia descritiva, versos impassíveis, exatidão e economia de imagens e metáforas, poesia técnica e formal, retomada de valores clássicos, apego à mitologia greco-romana.
Simbolismo
1890
Eugênio de Castro
Publicação de Oaristos
Gêneros: poema e prosa.
Poesia: Camilo Pessanha
1893
Cruz e Sousa
Publicação de Missal (prosa poética) e Broquéis (poesia).
Poesia: Cruz e Sousa e Alphonsus de Guimaraens, Pedro Kilkerry, Emiliano Perneta.
Simbolismo: reação contra o positivismo, o Naturalismo e o Parnasianismo; individualismo, subjetivismo psicológico, atitude irracional e mística, respeito pela música, atitude irracional e mística, respeito pela música, cor, luz; procura das possibilidades do léxico.
     Pré-Modernismo

Difícil identificação do período dado a conturbação da 1ª guerra e momento político onde Portugal elegia seu 1º presidente da República (1911).
Destaque para o escritor português Luís de Freitas Branco
1914- 1ª Guerra Mundial
1917- Revolução Russa
1902
Publicação de Os Sertões, de Euclides da Cunha; Canaã, de Graça Aranha.
Prosa: Monteiro Lobato, Euclides da Cunha, Lima Barreto, Graça Aranha.
Poesia: Augusto dos Anjos;
Pré-Modernismo: tendência das primeiras décadas do século XX, sentido mais crítico, fixando diferentes facetas da realidade social, política ou alterações na paisagem e cor local.
             Modernismo

1915- Publicação da Revista Orpheu (influenciada pelas grandes correntes estéticas europeias apresentando uma poesia de cunho altamente complexo).
Principais autores do Modernismo português
Fernando Pessoa
Mario de Sá Carneiro
Almada Negreiros
Características:
Rompimento com o passado
Nacionalismo crítico
Questionamento da situação social e cultural do país

1922
Surge em oposição clara aos clássicos e parnasianos com a Semana da arte Moderna no Teatro Municipal em São Paulo.Destaque para a obra “Os sapos” de Manuel Bandeira.

De 1922 a 1930- 1ª fase do Modernismo


De 1930 a 1945- 2ª fase.


De 1945 a 1970 aproximadamente-3ª fase

Principais movimentos e correntes do Modernismo:
Impressionismo
Pós-Impressionismo
Fauvismo
Cubismo
Expressionismo
Surrealismo
Concretismo
Futurismo
Pop Art


Modernismo

A Semana da Arte Moderna caracterizou-se pela exposição de vários tipos de artes encaradas do ponto revolucionário, de mudança ao tradicional clamava por liberdade de expressão e arte calcada em moldes nacionais.. O momento histórico-político-social exigia uma ruptura com tudo o que estava sendo feito em matéria de arte até aquele momento. Destacaram-se:
Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Di Cavalcanti (idealizador do evento),Picasso (artista estrangeiro) –(pintura).
Oswald e Mario de Andrade, Manuel Bandeira, Guilherme de Almeida, Vinicius de Moraes, Carlos Drummond entre outros (literatura)
Orson Welles (cinema)
Isadora Duncan (dança)
Cartier, Bresser (fotografia)
Victor Brecheret (escultura)
Pós-Modernismo
Momentos de ceticismo, perante o progresso científico e promessas de liberdade da humanidade onde os antigos valores são questionados e valorizados os movimentos sociais, nacionalistas e religiosos etc. assim caracterizados:
Anos 70 e 80: lirismo e expressões individuais de sentimentos. Expoentes Antonio Fraco Alexandre, João Miguel Fernandes Jorge (70)
José Emílio Neto (80)
Anos 90: poesia da heurística (descoberta), sentimental (reflete a experiência emocional do mundo: Jorge Reis Sá.


No romance, a ruptura com estéticas anteriores não é abrupta e tem influências norte-americanas com toda a certeza.
O delfim (José Cardoso Pires) onde prevalece o romance realista urbano total.

De 1970 (aproximadamente)  até os dias atuais
Não apresenta mudanças bruscas que apresentem ruptura com o Modernismo, Caracteriza-se segundo Afrânio Coutinho pela pluralidade de estilos e tendências mais evidenciadas nos escritores da década de 1980. Prevalecem nesse estágio como temas: esquizofrenia, uso exacerbado da intertextualidade, exercício da metalinguagem, ecletismo estilístico, fragmentarismo textual, anseio pela pluralidade, ênfase no cotidiano, polifonia de vozes, intensificação do lúdico na criação literária, androgenia, hedonismo (coloca o prazer e satisfação pessoal acima de tudo).

]

 
Explicações complementares





As escolas literárias, também conhecidas como movimentos literários, são como as ondas do mar, feitas de altos e baixos. Os ápices destes movimentos se alteram por duas diferentes linhas de pensamento e estilo. A linha dionisíaca deriva do nome Dionísio, deus grego do vinho e da emoção. As escolas literárias que se encontram nesta linha dionisíaca têm como características a emoção, o lirismo, o subjetivismo. Ao contrário, a linha apolínea (derivada do nome Apolo, deus da razão) representa o equilíbrio, a lucidez, o objetivismo.

Há uma grande diferença entre literatura NO Brasil e literatura DO Brasil. Acontece que toda a produção literária feita no Brasil, desde a carta de Caminha até o Barroco, não se pode afirmar que seja literatura nacional, legitimamente brasileira. Pois ainda estávamos sob domínio de Portugal, o pensamento era de uma literatura colonial que ainda não tinha desfeito o cordão umbilical com a metrópole. Só então com o Romantismo que a literatura tupiniquim floresce. E, coincidentemente, era a estação de nossa independência política, econômica e cultural.

Analisando o gráfico, percebe-se ainda que a partir do Modernismo acontece um desequilíbrio nessa freqüência uniforme. A razão e a emoção se abraçam. A poesia e os poetas encontram a real liberdade de criação. Não existirá desde então, uma escola vigente ou regente de tendências. É o encontro do velho com o novo. Sem fórmulas, leis ou teoremas de como se fazer versos. Apenas poetizar.

(Extraído de www.akio.com.br)

Queridos alunos do 1º ano (EJA) da EE Casimiro de Abreu:


Continuando nossa aula de literatura iniciada em classe e reforçada na aula em PowerPoint na sala de multimídia, veremos agora o início da literatura portuguesa, uma vez que aqui no Brasil ainda não havia literatura, o país não havia sido descoberto.
O primeiro documento escrito em versos de Portugal é essa cantiga, a estética literária é o Trovadorismo. Só para situar, este texto é escrito ainda em galego-português por volta de 1189 ou 1198. Queiram, por gentileza, imprimir mais  esse texto.

Tema: Amor platônico de um plebeu por uma mulher nobre e inacessível.
Eu lírico masculino.
Poesia dedicada à Dna.  Maria Pais Ribeiro, apelidada de Ribeirinha, concubina de D. Sancho I de Portugal.


CANTIGA DA RIBEIRINHA

Autor: Paio Soares de Taveirós


Do  mundo non me sei parelha,
mentre me for' como me vai,
ca ja moiro por vós - e ai!
mia senhor branca e vermelha.
Queredes que vos retraia* 
quando vos eu vi em saia*!
Mao dia me levantei, 
que vos enton non vi fea!


E, mia senhor, des aquel di', ai!
me foi a mi muin mal,
e vós, filha de don Paai Moniz
E ben vos semelha
d'haver eu por vós guarvaia*,
pois eu, mia senhor, d'alfaia
Nunca de vós ouve nem ei
valia d'ua correa*.

*guarvaia é um manto luxuoso, provavelmente de cor vermelha, usado pela nobreza.
*saia-roupa íntima.
*correa-coisa sem valor.
*retraia-descreva.

PARÁFRASE EM PORTUGUÊS

No mundo ninguém se assemelha a mim
Enquanto a vida continuar como vai,
Porque morro por vós e-ai!-
Minha senhora alva e de pele rosada,
Quereis que vos retrate
Quando eu vos vi sem manto!
Maldito seja o dia em que me levantei
 E então não vos vi feia!

E, minha senhora, desde aquele dia, ai!
Tudo me ocorreu muito mal!
E a vós, filha de Dom Paio Moniz,
Parece-vos bem
Que me presenteeis com uma guarvaia,
pois eu, minha senhora, como presente
Nunca de vós recebera algo, 
Mesmo que de ínfimo valor.

Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cantiga_da_Ribeirinha


19 de mar. de 2014

Boa-noite, alunos do 2º ano do Ensino Médio (EJA)


Posto aqui para vocês o conteúdo a ser visto esta semana sobre literatura. Façam a gentileza de imprimir e trazer para a classe nas próximas aulas. Na impossibilidade, falem comigo. Obrigada.

GÊNEROS LITERÁRIOS


Há dois grandes gêneros em literatura: o lírico e o épico.


Lírico - Expressão de sentimentos individuais, geralmente o “eu” do autor (subjetivismo). 1ª pessoa do singular no tempo presente.
Épico- Expressão de sentimentos ou narrativas sobre a coletividade, um povo ou sociedade em especial. São epopeias e os fatos são geralmente narrados no passado.
Há também o gênero drama- Fala sobre os conflitos das relações humanas. Geralmente esse gênero pertence ao teatro. Ex: Auto da compadecida, O alienista etc.

Camões lírico

Fonte: http://www.citi.pt/ciberforma/ana_paulos/ficheiros/lusiadas.pdf

Amor é fogo que arde sem se ver

1  2   3   4  5     6    7   8    9   10
A/mor/ é/ fo/go/ que ar/de/ sem/ se/ ver/;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

                           Luís de Camões

Camões épico
Os Lusíadas
Versos decassílabos heróicos acento na 6ª e 10ª sílabas

Canto I
 1       2      3        4       5      6       7    8   9   10
As /ar/mas /e os /Ba/rões /as/si/na/la/dos
Que/ da O/ci/den/tal/ prai/a/ Lu/si/ta/na

Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;
E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando,
E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da Morte libertando,
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

Cessem do sábio Grego e do Troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandro e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram.
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.
Existem verbos decassílabos sáficos: Acentuação na 4ª, 8ª e 10ª sílabas


13 de mar. de 2014

Uma palavra

Caros alunos da Escola Casimiro de Abreu:

Gostei de ver sua participação em nosso primeiro debate sobre o tema em que será elaborada a dissertação argumentativa desse bimestre: A invenção do telefone.
Espero que tenham aproveitado todos os diálogos, inclusive o que se deve apreender de um texto oral ou escrito.
Vocês devem ter percebido o quanto essa discussão é importante para que tenhamos novas ideias sobre o que escrever, para que conheçamos diferentes opiniões e conclusões sobre qualquer assunto, além do fato de adquirirmos conhecimento, cultura através das informações que lemos. Sem este procedimento, certamente não seria possível construir um bom texto, pois não teríamos a base necessária para dissertarmos sobre o assunto, não é à toa que em todas as avaliações externas que fazem, há sempre textos que antecedem as propostas para que esse embasamento seja feito.
Quanto à estrutura do texto dissertativo-argumentativo, eis aqui algumas dicas de como devem construí-lo e, se possível, imprimam para que tenham em mãos de forma mais explícita as regras que devem seguir.

TEXTO DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO


É aquele cuja criação é alcançada plenamente quando há um relativo domínio da leitura e da escrita, necessita de leitura de base para que se tenha conhecimento do tema (assunto) sobre o qual se vai escrever. Após a leitura, deve-se buscar uma linha de raciocínio sobre a matéria em questão procurando aspectos positivos, negativos sobre o tema versado. Além disso, não podemos nos esquecer de que precisamos ter à mão conhecimentos das diversas áreas de estudo.
A estrutura deste tipo de texto consiste em uma Introdução, chamada de tese, onde o assunto é lançado. Agora no início, não deve ser longa, procurem escrever três linhas aproximadamente.
Falemos agora a respeito do Desenvolvimento, o corpo do texto, talvez, a parte mais complexa que exige toda a sorte de informações possíveis aliadas a um questionamento e argumentação lógicos embasados na ética, redigidos em padrão formal de linguagem com clareza, objetividade e limpeza (obediência a mecanismos e convenções da escrita).
Nesse ponto da redação, é que tomamos a consciência de quão importantes são todas as disciplinas do nosso currículo, visto que nele devemos depositar toda a sorte de informações de variadas ciências: artes, filosofia, geografia, história entre outras. Porém, esse gênero nos cobra muito mais do que apenas cultura, conhecimento; ele requer princípios ético-morais na solução da questão apresentada, argumentação, contestação entre outras ações. Tudo isso, aliado à uma correção gramatical impecável num padrão de linguagem que nos custa muito alcançar só através de muita leitura e treino em escrever.
Antes de tudo, como já citei, é necessário muita leitura de base, estudo de ciências variadas e sobretudo respeito a uma proposta oferecida em forma de textos que podem ser verbais e não verbais sem, contudo, deixar transparecer explicitamente a própria  opinião em frases do tipo: "eu acho", "eu penso". "na minha opinião"trazendo verbos na primeira pessoa do singular que por motivos éticos não devem prevalecer no gênero argumentativo.
A terceira e última parte do texto é a Conclusão e esta também não merece pouca atenção da nossa parte; deve-se encerrar com chave de ouro resolvendo com habilidade a questão (tese) apresentada na Introdução oferecendo, desta forma, uma solução que demonstre um caráter ético ( que não fira os direitos humanos) acima de tudo.
E boa-sorte em suas avaliações e em sua vida, leiam bastante, discutam, participem de  questões pertinentes à sociedade e tenham certeza de que essa sorte virá.
Breve, postarei um texto sobre esse tema que escreveram para que tenham uma noção exata do que deve e o que não deve ser feito.
Minha última postagem no blog de textos é uma crônica que fiz por ocasião do aniversário de morte de meu pai no dia 12 de março próximo passado. Se quiserem ler, fiquem à vontade, é só clicar no link abaixo. Ah! e esse texto tem um fundo musical que faz parte dele, é só clicar no botão bem acima do cabeçalho do blog em cor roxa. Até mais!
litteraeart.blogspot.com


 
 

8 de mar. de 2014

Boa-noite, caros alunos do 3º ano do Ensino Médio do EJA Casimiro de Abreu.
Essa postagem vai para vocês, é o primeiro texto que estamos trabalhando. Trata-se da poesia moderna de Vinicius de Moraes, poeta da 2ª geração modernista, cujas características estudaremos em classe. Se houver possibilidade imprimam esse texto para trazerem para a próxima aula.

  

O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO



E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo: — Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu. E Jesus, respondendo, disse-lhe: — Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás(Lucas, cap. IV, versículos 5-8).



Era ele que erguia casas 

Onde antes só havia chão. 
Como um pássaro sem asas 
Ele subia com as casas 
Que lhe brotavam da mão. 
Mas tudo desconhecia 
De sua grande missão: 
Não sabia, por exemplo 
Que a casa de um homem é um templo 
Um templo sem religião 
Como tampouco sabia 
Que a casa que ele fazia 
Sendo a sua liberdade 
Era a sua escravidão. 



De fato, como podia 
Um operário em construção 
Compreender por que um tijolo 
Valia mais do que um pão? 
Tijolos ele empilhava 
Com pá, cimento e esquadria 
Quanto ao pão, ele o comia... 
Mas fosse comer tijolo! 
E assim o operário ia 
Com suor e com cimento 
Erguendo uma casa aqui 
Adiante um apartamento 
Além uma igreja, à frente 
Um quartel e uma prisão: 
Prisão de que sofreria 
Não fosse, eventualmente 
Um operário em construção. 



Mas ele desconhecia 
Esse fato extraordinário: 
Que o operário faz a coisa 
E a coisa faz o operário. 
De forma que, certo dia 
À mesa, ao cortar o pão 
O operário foi tomado 
De uma súbita emoção 
Ao constatar assombrado 
Que tudo naquela mesa 
- Garrafa, prato, facão - 
Era ele quem os fazia 
Ele, um humilde operário, 
Um operário em construção. 
Olhou em torno: gamela 
Banco, enxerga, caldeirão 
Vidro, parede, janela 
Casa, cidade, nação! 
Tudo, tudo o que existia 
Era ele quem o fazia 
Ele, um humilde operário 
Um operário que sabia 
Exercer a profissão. 



Ah, homens de pensamento 
Não sabereis nunca o quanto 
Aquele humilde operário 
Soube naquele momento! 
Naquela casa vazia 
Que ele mesmo levantara 
Um mundo novo nascia 
De que sequer suspeitava. 
O operário emocionado 
Olhou sua própria mão 
Sua rude mão de operário 
De operário em construção 
E olhando bem para ela 
Teve um segundo a impressão 
De que não havia no mundo 
Coisa que fosse mais bela. 



Foi dentro da compreensão 
Desse instante solitário 
Que, tal sua construção 
Cresceu também o operário. 
Cresceu em alto e profundo 
Em largo e no coração 
E como tudo que cresce 
Ele não cresceu em vão 
Pois além do que sabia 
- Exercer a profissão - 
O operário adquiriu 
Uma nova dimensão: 
A dimensão da poesia. 



E um fato novo se viu 
Que a todos admirava: 
O que o operário dizia 
Outro operário escutava. 



E foi assim que o operário 
Do edifício em construção 
Que sempre dizia sim 
Começou a dizer não. 
E aprendeu a notar coisas 
A que não dava atenção: 



Notou que sua marmita 
Era o prato do patrão 
Que sua cerveja preta 
Era o uísque do patrão 
Que seu macacão de zuarte 
Era o terno do patrão 
Que o casebre onde morava 
Era a mansão do patrão 
Que seus dois pés andarilhos 
Eram as rodas do patrão 
Que a dureza do seu dia 
Era a noite do patrão 
Que sua imensa fadiga 
Era amiga do patrão. 



E o operário disse: Não! 
E o operário fez-se forte 
Na sua resolução. 



Como era de se esperar 
As bocas da delação 
Começaram a dizer coisas 
Aos ouvidos do patrão. 
Mas o patrão não queria 
Nenhuma preocupação 
- "Convençam-no" do contrário - 
Disse ele sobre o operário 
E ao dizer isso sorria. 



Dia seguinte, o operário 
Ao sair da construção 
Viu-se súbito cercado 
Dos homens da delação 
E sofreu, por destinado 
Sua primeira agressão. 
Teve seu rosto cuspido 
Teve seu braço quebrado 
Mas quando foi perguntado 
O operário disse: Não! 



Em vão sofrera o operário 
Sua primeira agressão 
Muitas outras se seguiram 
Muitas outras seguirão. 
Porém, por imprescindível 
Ao edifício em construção 
Seu trabalho prosseguia 
E todo o seu sofrimento 
Misturava-se ao cimento 
Da construção que crescia. 



Sentindo que a violência 
Não dobraria o operário 
Um dia tentou o patrão 
Dobrá-lo de modo vário. 
De sorte que o foi levando 
Ao alto da construção 
E num momento de tempo 
Mostrou-lhe toda a região 
E apontando-a ao operário 
Fez-lhe esta declaração: 
- Dar-te-ei todo esse poder 
E a sua satisfação 
Porque a mim me foi entregue 
E dou-o a quem bem quiser. 
Dou-te tempo de lazer 
Dou-te tempo de mulher. 
Portanto, tudo o que vês 
Será teu se me adorares 
E, ainda mais, se abandonares 
O que te faz dizer não. 



Disse, e fitou o operário 
Que olhava e que refletia 
Mas o que via o operário 
O patrão nunca veria. 
O operário via as casas 
E dentro das estruturas 
Via coisas, objetos 
Produtos, manufaturas. 
Via tudo o que fazia 
O lucro do seu patrão 
E em cada coisa que via 
Misteriosamente havia 
A marca de sua mão. 
E o operário disse: Não! 



- Loucura! - gritou o patrão 
Não vês o que te dou eu? 
- Mentira! - disse o operário 
Não podes dar-me o que é meu. 



E um grande silêncio fez-se 
Dentro do seu coração 
Um silêncio de martírios 
Um silêncio de prisão. 
Um silêncio povoado 
De pedidos de perdão 
Um silêncio apavorado 
Com o medo em solidão. 



Um silêncio de torturas 
E gritos de maldição 
Um silêncio de fraturas 
A se arrastarem no chão. 
E o operário ouviu a voz 
De todos os seus irmãos 
Os seus irmãos que morreram 
Por outros que viverão. 
Uma esperança sincera 
Cresceu no seu coração 
E dentro da tarde mansa 
Agigantou-se a razão 
De um homem pobre e esquecido 
Razão porém que fizera 
Em operário construído 
O operário em construção.


Este texto é da década de 50. Período histórico 1949-1956 (ano da criação do poema). Faz referência à passagem bíblica: Lucas, cap. IV, vs. 5-8:

[...] E o demônio o levou a um alto monte e lhe mostrou todos os reinos da redondeza da terra em um momento de tempo. E lhe disse: "Dar-te-ei todo este poder e a glória destes reinos, porque eles me foram dados, e eu os dou a quem me parece. Portanto, se tu na minha presença prostrado me adorares, todos eles serão teus". E respondendo Jesus  lhe disse: "Escrito está: ao senhor teu Deus adorarás e a Ele só servirás"[...] Fonte:Bíblia Sagrada. Edição Ecumênica. Ed Mirador.


A respeito desse momento histórico político e social de 1946 a 1959 encontrem subsídios em:

http://www.aeconomiadobrasil.com.br/artigo.php?artigo=87


pontuação aula slides